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	<title>Futebol Portugal &#187; Crónicas</title>
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	<description>O Blog do Futebol em Portugal</description>
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		<title>Opinião: Um puzzle desfeito</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 14:23:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[ArtOpiniao]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Porto]]></category>

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		<description><![CDATA[Triste, distante, esbatida, com contornos desarranjados, sem requinte, arte grotesca, quase primitiva, por cima de uma tela de classe e com peças valiosas. Tons escuros, imagens nefastas, perdidas nas ruínas. Uma anarquia, um caos. Os suores frios correm pelo rosto. A ansiedade toma o corpo, aquece, inquieta, pressiona. O aspecto mostra desleixo, a imagem é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://futebolportugal.clix.pt/2012/01/opiniao-um-puzzle-desfeito/fbl-por-porto-gil-vicente/" rel="attachment wp-att-71744"><img class="aligncenter size-medium wp-image-71744" title="FBL-POR-PORTO-GIL VICENTE" src="http://futebolportugal.clix.pt/wp-content/uploads/10108022_vHtRM-300x174.jpg" alt="10108022 vHtRM 300x174 Opinião: Um puzzle desfeito" width="300" height="174" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Triste, distante, esbatida, com contornos desarranjados, sem requinte, arte grotesca, quase primitiva, por cima de uma tela de classe e com peças valiosas. Tons escuros, imagens nefastas, perdidas nas ruínas. Uma anarquia, um caos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os suores frios correm pelo rosto. A ansiedade toma o corpo, aquece, inquieta, pressiona.</p>
<p style="text-align: justify;">O aspecto mostra desleixo, a imagem é só desencanto, a alma respira dor. As emoções são depressivas e isso não se esconde. A fúria de viver acalmou, as pinceladas vigorosas cessaram. Resta saudade. E um cenário desolador.</p>
<p style="text-align: justify;">O<em> puzzle</em> está desfeito. Amontoam-se as tentativas, perdem-se as esperanças pelo meio, uma e outra vez, até o corpo começar a achar que já não consegue, a sentir os músculos tensos, presos, quase como prenúncio. O espírito abalou. A vontade, a fé, o ânimo, tudo, são levados aos poucos, sem retorno, em cada peça que não encaixa ou que, teimosa, parece ter vontade própria para saltar para outro lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">O que poderia ser um só, uma união de várias peças, é apenas uma dispersão de fragmentos. Divididos, com múltiplos pedaços desconexos, perdidos no espaço, no tempo, nos pensamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de insistir, as vontades não se uniram, o sonho não guiou a acção, o sucesso comprometeu-se e a alma vencedora, de antes quebrar que torcer, tremeu como poucas vezes. Dispersado, triste, desencantado com a vida, o dragão olha para o que já fez, reflecte, perde-se no labirinto de imagens felizes e de momentos para esquecer, aponta culpas, critica, faz promessas de melhorar. E não entende como um <em>puzzle</em> pode, em tão pouco tempo, deixar de ser perfeito e passar a ser um problema sério.</p>
<p style="text-align: justify;">Perdeu-se a harmonia, a união, a força, a vontade, a crença, a garra, o sonho, a capacidade de chegar à glória. Este <em>puzzle</em> é uma caricatura, triste e negra, do outro. Com culpas para o dono, para o construtor e para as peças, umas com qualidade e sem vontade, outras voluntariosas mas só. <em>Erros meus, má fortuna</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">E, ao fundo, distante e nostálgico: <em>venceremos, venceremos, venceremos outra vez…</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Liga: Dragão mais forte</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 21:58:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Zon Sagres]]></category>
		<category><![CDATA[Porto]]></category>
		<category><![CDATA[V. Guimarães]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dragão que gosta do risco, da vertigem, de sentir o sangue pulsar-lhe nas veias. Arrisca, parte em busca da felicidade, esquece-se de se certificar sobre as condições para avançar e galga terreno. Por vezes, com dificuldade, escorregando, com passos em falso. Outras com maior rapidez, dinâmica e fluidez. Mas sempre com o risco como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://futebolportugal.clix.pt/2012/01/liga-dragao-mais-forte/980x735-4/" rel="attachment wp-att-71239"><img class="aligncenter size-medium wp-image-71239" title="980x735" src="http://futebolportugal.clix.pt/wp-content/uploads/980x7353-300x225.jpg" alt="980x7353 300x225 Liga: Dragão mais forte" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Um dragão que gosta do risco, da vertigem, de sentir o sangue pulsar-lhe nas veias. Arrisca, parte em busca da felicidade, esquece-se de se certificar sobre as condições para avançar e galga terreno. Por vezes, com dificuldade, escorregando, com passos em falso. Outras com maior rapidez, dinâmica e fluidez. Mas sempre com o risco como companheiro. Está nos genes deste dragão.</p>
<p style="text-align: justify;">A vitória do FC Porto, por 3-1, sobre o Vitória de Guimarães não tem discussão. Foi conquistada com mérito, com vontade, com crença. O dragão é melhor: ergueu-se, mostrou as armas, controlou as investidas do Vitória, amassou o escudo e impediu que a arma do conquistador tivesse efeito letal. Teve a batalha na mão, ganhou posição, desferiu os golpes nos momentos certos e, mesmo tendo acabado com alguns arranhões, porque nas batalhas é inevitável, acabou por cima. Sorri, cumpriu um novo objectivo, continua invicto e garante luta até à morte com o Benfica.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois belos golos de Rolando e de Moutinho, um na primeira parte e o outro logo na abertura da segunda, momentos fatais, deram avanço ao FC Porto, tranquilizaram espíritos portistas e feriram o Vitória. Mesmo assim, a equipa vimaranense, competitiva e solidária, que já tinha deixado o dragão em tremuras antes do intervalo, não se desmoronou. Manteve a cabeça erguida, tentou recompor a postura e unir esforços. Conseguiu um golo, por Faouzi, capaz de relançar o jogo e pôr a vitória do FC Porto em risco – o remate vitorioso nasce de um livre mal assinalado, que valeu a Fernando, um polvo cada vez mais forte, o quinto amarelo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem Hulk, apareceu James. O colombiano, uma estrela cada vez mais cintilante, jogou ao sabor das ondas, variando, com traços de génio pelo meio de períodos mornos, com uma assistência exemplar para o golo de Rolando, ganhou (ganhou mesmo!) uma grande penalidade e, por fim, tirou todas as forças ao Vitória. Uma vitória para o dragão, confiança por alguns belos momentos, pela estreia promissora de Danilo e, apesar de alguns arrepios, gula saciada com um triunfo.</p>
<h5 style="text-align: justify;">FOTO: Catarina Morais.</h5>
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		<title>GUARDIOLA E OUTRA VEZ O MESSI …   PRODUTOS DE IDEIAS VIVAS (DE QUALIDADE)</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 12:06:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rita Santoalha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise Táctica]]></category>
		<category><![CDATA[ArtOpiniao]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; O Futebol é um fenómeno que existe independentemente de quem lhe dá vida mas a qualidade da sua evolução é construída de acordo com a concretização de IDEIAS. Quanto mais ricas são as ideias e a necessária capacidade de as expressar com rigor, maior é a tendência para o Futebol evoluir num sentido positivo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://futebolportugal.clix.pt/2012/01/70558/guardiola-6/" rel="attachment wp-att-70559"><img class="aligncenter size-medium wp-image-70559" title="guardiola" src="http://futebolportugal.clix.pt/wp-content/uploads/guardiola6-300x191.jpg" alt="guardiola6 300x191 GUARDIOLA E OUTRA VEZ O MESSI …   PRODUTOS DE IDEIAS VIVAS (DE QUALIDADE) " width="300" height="191" /></a><a href="http://futebolportugal.clix.pt/2012/01/70558/messi-13/" rel="attachment wp-att-70561"><img class="aligncenter size-medium wp-image-70561" style="border-style: initial; border-color: initial;" title="messi" src="http://futebolportugal.clix.pt/wp-content/uploads/messi10-300x225.jpg" alt="messi10 300x225 GUARDIOLA E OUTRA VEZ O MESSI …   PRODUTOS DE IDEIAS VIVAS (DE QUALIDADE) " width="300" height="225" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O Futebol é um fenómeno que existe independentemente de quem lhe dá vida mas a qualidade da sua evolução é construída de acordo com a concretização de IDEIAS. Quanto mais ricas são as ideias e a necessária capacidade de as expressar com rigor, maior é a tendência para o Futebol evoluir num sentido positivo – porque, sendo universal, o futebol comporta a possibilidade genuína de CONTAGIAR “razões”… (mas como?)</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos aprofundar… o Guardiola foi eleito, ontem, melhor treinador do mundo e o Messi é, pela terceira vez consecutiva, o melhor jogador do mundo e isto tem que nos fazer pensar. Do Barcelona sabe-se ser um CLUBE com um PROJECTO GLOBAL que se define na qualidade do modo como se procura jogar, SEMPRE. Por isso, “Ser Barcelona” é partilhar uma sentimentalidade colectiva na apreensão de circunstâncias jogadas sempre novas. Aos 6 anos, aos 12 anos e aos 19 anos, a essência daquilo que se procura expressar, em jogo, é exactamente a mesma (primado da “posse de bola”) e, então, o que modela a configuração dos sub-processos do projecto (global) são as ideias de qualidade (ganhar com regularidade, é este o critério para aferir a qualidade das ideias).</p>
<p style="text-align: justify;">O Futebol é uma actividade humana que existe em consequência de INTERPRETAÇÕES: é função do treinador CRIAR uma equipa através do modo como LIGA os jogadores com ideias (vivas) que intervêm no modo como interagem para ganhar; e é função dos jogadores empenharem-se (corpo em acção INTENCIONAL) na concretização de uma forma de jogar específica (com mote na idealizada pelo treinador). Cumprir as funções enunciadas parte de interpretações – o treinador só concebe uma forma de jogar para uma equipa específica porque contém uma representação PARTICULAR do Jogo de Futebol (e, claro, um entendimento particular sobre aquilo que é treinar) e os jogadores procuram dar vida a essa forma de jogar através de uma apreensão que é feita com o sentido (colectivo) que é dado aos conteúdos da apreensão (princípios de jogo).</p>
<p style="text-align: justify;">O Guardiola é o melhor treinador do mundo porque, tendo ideias geniais (respeitam a natureza COLECTIVA do futebol, elevando-a – é este o critério para a genialidade das ideias), foi capaz de CONTAGIAR cada um dos jogadores da sua equipa e, por isso, agora (cada vez mais) o que direcciona a interacção entre jogadores ligados e jogo (apreensão colectiva das circunstâncias momentâneas) são as “ideias” e a capacidade impressionante que os jogadores (diferentes) possuem de lhes dar vida com DIVERSIDADE.</p>
<p style="text-align: justify;">O Messi é o resultado do tal projecto global (que começa e não acaba). Porque cresceu no Barcelona viveu <span style="text-decoration: underline;">muito tempo</span> numa cultura que eleva aquilo que o distingue (ver crónica sobre o Messi) e, porque continua no Barcelona, não pára de crescer – não é previsível porque é SENSÍVEL e, por isso, continua a enganar adversários e a surpreender os que o sentem do lado de fora.</p>
<p style="text-align: justify;">Com estes resultados – melhor treinador do mundo e melhor jogador do mundo – este projecto global é uma REFERÊNCIA DE QUALIDADE. Servirmo-nos dela para provocar evolução no nosso raio de acção (no mínimo problematizá-lo) é muito importante, principalmente num tempo em que a formação de jogadores de futebol carece de uma transformação capaz de dar resposta aos problemas impostos por uma sociedade que “prende” as crianças e as impede de jogar com liberdade. Mais do que imitar o Barcelona (para cada CONTEXTO um problema e para cada problema uma solução ideal), importa conhecer a coerência das suas IDEIAS de base e aprofundá-las – porque elas (as ideias) são a sua maior força.</p>
<p style="text-align: justify;">No Futebol há DIVERSIDADE porque o Jogo tem uma natureza aberta e isto quer dizer que é o confronto que modela o sentido do jogo. O Confronto põe problemas sempre diferentes e, por isso, as melhores equipas são as que estão mais bem PREPARADAS para lhes dar resposta. A qualidade da preparação define-se na quantidade de capacidade que as equipas têm de sentir as circunstâncias e, sentindo-as com sentido, ser “maior do que elas” (ou seja, porque tenho capacidade para intervir no momento de acordo com as circunstancias que o definem, transformo-o). O Barcelona (desculpem-me a insistência mas…) é sempre maior do que as circunstâncias porque, independentemente da qualidade do confronto, o PADRÃO de soluções que expressa é o mesmo (MATRIZ).</p>
<p style="text-align: justify;">Deixarmo-nos contagiar por esta referência de qualidade implica percebermos que <span style="text-decoration: underline;">o primado está nas ideias</span> (que têm de ser vivas e de qualidade). Engendrá-las através de uma sensibilidade ao contexto, não abdicar delas em nenhuma circunstância (na facilidade e na dificuldade), problematizá-las e provocar evolução através da sua complexificação, ter capacidade para lhes dar vida através de um processo de treino que (também ele) respeite a natureza do Futebol, …</p>
<p style="text-align: justify;">Estas são condições universais que podemos aprender se estivermos disponíveis para sermos contagiados por referências de qualidade e, quando isso acontecer, vamos estar preparados para intervir no Futebol de modo a contribui para a sua evolução (positiva).</p>
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		<item>
		<title>A importância do contexto para o Modelo de Jogo</title>
		<link>http://futebolportugal.clix.pt/2012/01/a-importancia-do-contexto-para-o-modelo-de-jogo/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 20:53:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dário Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Scouting e Formação]]></category>

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		<description><![CDATA[Falo com um treinador do clube onde estou sobre a formação nacional e sobre o futuro do jogador português, contrariando as visões pessimistas defendo que Portugal tem o bem mais raro do futebol, o talento, mas que urge uma mudança radical na forma de pensar o nosso futebol juvenil. Porque acredito que nos falta organização, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://futebolportugal.clix.pt/2012/01/a-importancia-do-contexto-para-o-modelo-de-jogo/fabregas-xavi-messi-web/" rel="attachment wp-att-70398"><img class="aligncenter size-full wp-image-70398" title="fabregas-xavi-messi-web" src="http://futebolportugal.clix.pt/wp-content/uploads/fabregas-xavi-messi-web.jpg" alt="fabregas xavi messi web A importância do contexto para o Modelo de Jogo" width="600" height="450" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Falo com um treinador do clube onde estou sobre a <strong>formação nacional</strong> e sobre o futuro do jogador português, contrariando as visões pessimistas defendo que Portugal tem o bem mais raro do futebol, <strong>o talento</strong>, mas que urge uma mudança radical na forma de pensar o nosso futebol juvenil.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque acredito que nos falta <strong>organização</strong>, que poucos são os clubes da nossa formação que trabalham apoiados num <strong>modelo de jogo</strong> comum, em que existe um processo coerente e abrangente aos vários escalões da formação. No fundo falta toda a base que nos possa permitir evoluir para um nível seguinte, porque quando o processo é aleatório os seus resultados também o serão.</p>
<p style="text-align: justify;">Por razões que desconheço quando menciono a importância dessa mudança, todos concordam mas a grande maioria responde dizendo que é impraticável, que os clubes neste momento têm objectivos competitivos na formação (que na maioria das vezes são, de forma errada, prioridades) que não permitem a execução de determinado tipo de futebol, um jogo desse género, jogar em posse, etc., etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente a ignorância é resposta a muitas questões, quem olha de lado para esta nova geração de técnicos e professores, quem vê esta mudança apenas associada a um tipo de jogo está <strong>profundamente errado</strong>. Construir um modelo de jogo não é copiar isto ou aquilo, a idealização de um projecto dessa natureza não pode nunca se basear em imitar esta ou aquela realidade, porque o modelo de jogo de cada clube deve ser próprio, deve nascer dentro do modelo do clube e deve crescer profundamente ligado ao contexto em que está inserido.</p>
<p style="text-align: justify;">Construir um modelo não é tentar jogar à Barça em todos os escalões, isso sim é impraticável, construir um modelo é idealizar o jogo que se pretende, é analisar o <strong>contexto</strong> e objectivos em que estamos inseridos, é perceber os recursos que temos disponíveis e aí sim moldar o “jogar” que pretendemos, os princípios, sub-princípios e sub-subprincípios do que queremos que apareça em campo e quais as formas de aí chegar.</p>
<p style="text-align: justify;">A solução não passa por imitar o que vemos em Espanha ou noutro lado qualquer em que apareça qualidade, a solução é olharmos nos olhos da nossa realidade, é percebermos o que temos de melhorar, é criar organização na nossa formação, é ter paciência para um processo que vai e deve ser longo, é construirmos desde a base aquilo que queremos que apareça no topo da pirâmide, e se queremos que esse topo seja de excelência, a base deve ser também de excelência.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sporting-FC Porto, 0-0 (crónica)</title>
		<link>http://futebolportugal.clix.pt/2012/01/sporting-fc-porto-0-0-cronica/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 23:15:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[Contagem decrescente, toque da sineta cada vez mais próximo, suor a escorrer pelo rosto e marcas de combate no corpo. Toalhas no tapete. Um cumprimento e até à próxima. Apenas com tempo para limpar a face e preparar outro combate. Sem distrações. Um boxeur sobe para o ringue e quer golpear o adversário, deixá-lo no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Contagem decrescente, toque da sineta cada vez mais próximo, suor a escorrer pelo rosto e marcas de combate no corpo. Toalhas no tapete. Um cumprimento e até à próxima. Apenas com tempo para limpar a face e preparar outro combate. Sem distrações.</p>
<p style="text-align: justify;">Um<em> boxeur</em> sobe para o ringue e quer golpear o adversário, deixá-lo no tapete e ouvir o árbitro contar os segundos. Depois de jogar com ele, aplicar uma estratégia, pensar, adaptar-se ao que tem pela frente. Quando as forças se equilibram, mais do que querer desferir pancadas certeiras, importa proteger o corpo, resguardar-se e prolongar a discussão por mais tempo. Sporting e FC Porto pensaram da mesma forma. Com armas diferentes, sem pressas, quiseram estar protegidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Acabaram os dois com a mesma sensação. Não foi o que queriam mas também não tombaram no tapete.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dragão e leão iguais, com o empate justo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É incontornável: este FC Porto deixou a cultura de posse, o futebol de toques, numa sucessão infindável de passes, entre defesa, meio-campo e ataque, para assumir um estilo mais direto, veloz, para descompensar o adversário. Bombardeia mais bolas, tem um meio-campo muito mais estanque, deixa espaço livre em demasia. O Sporting quis segurança a defender, por isso colocou Renato Neto de início, mas não recear a bola, tê-la consigo, assumindo a sua identidade, para poder ameaçar a baliza de Helton. Filosofias diferentes, forças iguais, fatores de equilíbrio.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais equilibrado devia ser difícil. Sporting e FC Porto igualaram-se, partilharam oportunidades, acreditaram ser possível ganhar. O leão teve mais bola, procurou jogar de forma apoiada, com pressão para impedir o adversário de progredir, enquanto o dragão, expectante e pragmático, apostou na velocidade, em jogadas rápidas, dando passos longos rumo ao ataque. Estiveram perto de conseguir os objetivos.</p>
<p style="text-align: justify;">Helton e Rui Patrício agigantaram-se e, quando estavam ultrapassados, os deuses da fortuna protegeram-nos. Cabeçadas de Maicon e Polga foram travadas pelos guarda-redes, que, em momentos cruciais, mantiveram as balizas a zero: Patrício tapou os caminhos do golo a Hulk e Helton ergueu-se quando Van Wolfswinkel lhe apareceu pela frente. No final, a Fortuna. Para o dragão, chegou quando um remate de Izmailov, sem guarda-redes na baliza, encontrasse a ponta do pé de Álvaro Pereira e para o leão, já nos descontos, quando um tiro de James esbarrou nas pernas de Otamendi.</p>
<p style="text-align: justify;">É, este clássico tinha mesmo de dar empate…</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Opinião: Figuras de um ano intenso</title>
		<link>http://futebolportugal.clix.pt/2012/01/opiniao-figuras-de-um-ano-intenso/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 18:48:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Dois mil e onze ficou para trás. Um ano que elevou André Villas Boas, que fez Falcao deslumbrar, confirmou que Roberto foi um erro crasso do Benfica, que João Moutinho encaixou como uma luva no FC Porto e mostrou ao país que a seleção tem valor, com Paulo Bento ao comando, para lutar contra as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Dois mil e onze ficou para trás. Um ano que elevou André Villas Boas, que fez Falcao deslumbrar, confirmou que Roberto foi um erro crasso do Benfica, que João Moutinho encaixou como uma luva no FC Porto e mostrou ao país que a seleção tem valor, com Paulo Bento ao comando, para lutar contra as adversidades e seguir o seu caminho natural. Eis uma eleição de algumas personalidades que se destacaram no ano anterior. Tem sugestões, leitor?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O treinador do ano em Portugal: André Villas Boas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sangue azul, portismo no limite, espírito de missão pela vitória e horizontes alargados para a glória, sem pedir licença, se não para matar. André Villas Boas deu personalidade a uma máquina de jogar futebol, de asfixiar, de ganhar. Carregou nos tons de azul e triunfou, uma e outra vez, em momentos certos, preenchidos por um gosto satânico, que permitiu ao dragão ganhar o campeonato na casa do Benfica, ser feliz na Taça de Portugal e voltar a ser grande na Europa. Villas Boas chegou ao céu em 2011. E saltou para o Chelsea.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O jogador do ano em Portugal: Radamel Falcao Garcia.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Respiração cortada, corpo em levitação, arte em forma de futebol, capacidade plena. Radamel é um jogador que gosta pouco de desperdiçar oportunidades, pensa rápido, executa logo a seguir, tem a bola quase como uma extensão do corpo. Para ter sucesso, Falcao corre, insiste, massacra. Em 2011, num FC Porto histórico, voou como nunca, subiu em flecha até às portas do paraíso e sorriu muito. Radamel Falcao Garcia: bandeira do FC Porto, génio goleador, colombiano encantador que marcou Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O erro confirmado em 2011: Roberto Jiménez.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A história de Roberto no Benfica começou mal, pareceu estabilizada a certo momento mas foi apenas ilusão, porque, na hora da verdade, confirmou-se o que o início da temporada mostrara: o guarda-redes espanhol nunca se conseguiu adaptar, mostrou debilidades confrangedoras, custou pontos à equipa, fê-la ruir pela base e destruiu a fé dos adeptos benfiquistas. Mesmo assim, no verão de 2011, o Benfica conseguiu lucrar oito milhões e seiscentos mil euros com a sua transferência para o Saragoça…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A contratação que deu certo em 2011: João Moutinho.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma bandeira do Sporting, formado, criado, capitão, a representar o FC Porto 2010-2011: na garra, na revolta interior, na classe, na precisão de movimentos. João Moutinho, golpe letal na gestão ruinosa de José Eduardo Bettencourt em Alvalade, encaixou como uma luva na equipa de André Villas Boas. Assumiu o comando do meio-campo, deu-lhe uma incrível capacidade, permitiu um futebol de altas rotações e múltiplos encantos. Chegou há pouco mais de um ano mas parece que é dragão desde que nasceu…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O herói nacional: Paulo Bento.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A seleção nacional estava mergulhada num caos, numa anarquia completa, caminhando sobre um fundo negro, preenchido por fantasmas e sem que se sentisse uma voz de comando. Estava baralhada como há muito não se via, com convulsões internas, com Carlos Queiroz processado, deixada à deriva. Tudo isso passou para o relvado e Portugal corou de vergonha no início do apuramento para o Europeu de 2012. Com Paulo Bento, ganhou serenidade, calma, espírito de sacrifício e consistência. Ganhou, mesmo depois de uma derrota na Dinamarca, o lugar na fase final do Euro. Com classe, frente à Bósnia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O momento do ano: Final da Liga Europa, Dublin, maio.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Três equipas na meia-final e uma final totalmente portuguesa, pintada de azul e vermelho, cores do FC Porto e do SC Braga, numa festa portuguesa que preencheu as ruas de Dublin, em maio, foi o momento mais alto de um ano em que o futebol conseguiu ser um escape do nefasto quotidiano. Portugal voltou a elevar-se na Europa. E já esta época, com o apuramento da seleção para o Europeu e com o apuramento, em primeiro lugar, do Benfica para a fase de grupos da Liga dos Campeões.</p>
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		<title>História do Futebol: Quando Paolo destruiu a arte</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 14:22:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[História do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[Deve ser desesperante para um pintor saber fazer tudo direitinho, deixar os outros de queixo caído, loucos e invejosos por dentro, com um sorriso insultuoso por fora, ganhar um nome, fixar-se, arrastar multidões e num momento, sem avisos ou preparação, ser arrasado por uma ideia nova. Basta aparecer um artista que saiba o que faz, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://futebolportugal.clix.pt/2011/12/historia-do-futebol-quando-paolo-destroi-a-arte/1982_ita_bra_01_2795_full-lnd/" rel="attachment wp-att-69341"><img class="aligncenter size-medium wp-image-69341" title="1982_ita_bra_01_2795_full-lnd" src="http://futebolportugal.clix.pt/wp-content/uploads/1982_ita_bra_01_2795_full-lnd-300x199.jpg" alt="1982 ita bra 01 2795 full lnd 300x199 História do Futebol: Quando Paolo destruiu a arte" width="300" height="199" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Deve ser desesperante para um pintor saber fazer tudo direitinho, deixar os outros de queixo caído, loucos e invejosos por dentro, com um sorriso insultuoso por fora, ganhar um nome, fixar-se, arrastar multidões e num momento, sem avisos ou preparação, ser arrasado por uma ideia nova. Basta aparecer um artista que saiba o que faz, com menos pinceladas, menos tinta, menos arte até, enfim, para roubar o pedestal. Justo, injusto, seja o que for. É assim e pronto.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Seu </em>Telê Santana olhou para a tela, para a paleta e para os materiais que tinha. Arranjou o casaco, puxou as mangas, molhou o pincel e bateu a tinta no fundo branco. Pinceladas fortes, dinâmicas, movimentos rápidos, com técnica apurada, requintes de classe, olhar de verdadeiro artista. Deixou-se levar, passou as emoções para a tela, o quadro controlou-o, guiou os ziguezagues, arrastando-o, libertino, na construção da imagem. Tons de amarelo, azul e verde. Onze homens. Uma bola à frente. O retrato da &#8211; sim, da, daquela, não uma qualquer &#8211; equipa de futebol.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas fantasias de Telê, rápidas e envolventes, estava uma verdadeira selecção, uma elite poderosa e rebelde, delirante e deslumbrante, uma obra de arte dos pés à cabeça. Cerezo, Sócrates, Zico, Falcão, todos, pintados, cheios de vida, de magia, de criatividade. Um quadro emoldurado a ouro, guardado como uma relíquia, sem igual, valioso e belo, atributos que poucos conseguem aliar. Submetido aos testes, passou, impôs-se, deixou marcas. Até enfrentar um novo artista, daqueles que têm ideias novas. E aí chega o desespero.</p>
<p style="text-align: justify;">(A ideia repete-se. Uns contornos perfeitos, uma dinâmica pouco vista, beleza em cada movimento, arte em cada gesto, fazem delirar, ter sucesso, causar inveja mas apenas até aparecer quem faça diferente e consiga melhor. Pode não ser tão cintilante, nem sequer andar perto, mas tem mais impacto.)</p>
<p style="text-align: justify;">Paolo desconstrói, rasga, embrulha os desenhos de <em>Telê</em>, amachuca as folhas loucas de elogios para Sócrates, transforma a precisão de Cerezo num caos, deixa Zico à beira de um ataque de nervos, choca um país, torna-se inimigo de uma nação, rebenta as escalas. Avança para a tela, faz estragos, apunhala com força, o papel cede. A força da tesoura italiana é brutal. E no meio daquele estado caótico inventa-se uma nova arte. A que destrói, que eleva a Itália, que imortaliza homens como Rossi. Talentosos, sem dúvida. Mas diferentes. Proclamam uma espécie de surrealismo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>E Telê, não há nada a fazer, já passou. Vem viver a vida, amor…</em></p>
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		<title>Da contestação à demissão: o caso portista</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 11:45:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Vieira de Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[ArtOpiniao]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Jogo Directo]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem sido o treinador mais pressionado na presente temporada do futebol português. Vitor Pereira não teve muito tempo para saborear o lugar e rapidamente se viu como alvo principal da contestação dos adeptos perante as dificuldades neste inicio de época. Dos primeiros assobios, passa-se rapidamente aos pedidos de demissão, mas – e a pergunta que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Tem sido o treinador mais pressionado na presente temporada do futebol português. Vitor Pereira não teve muito tempo para saborear o lugar e rapidamente se viu como alvo principal da contestação dos adeptos perante as dificuldades neste inicio de época. Dos primeiros assobios, passa-se rapidamente aos pedidos de demissão, mas – e a pergunta que proponho é esta – que condições deverão realmente tornar provável essa decisão tão incomum em Pinto da Costa, trocar de treinador?</p>
<p style="text-align: justify">O primeiro ponto a levar em consideração é a emotividade e o efeito negativo que esta pode ter nas decisões que são tomadas. Para um dirigente, pior do que não trocar de treinador na altura certa pode ser trocar de treinador na altura errada, e pelos motivos errados. Neste aspecto, o presidente portista saberá melhor do que ninguém o tiro no pé que pode representar uma precipitação a este nível. Não porque a tenha experimentado ele próprio, mas porque retirou partido de vários desses erros, cometidos pelos seus principais adversários. Basta recordar nomes como Bobby Robson, José Mourinho ou Jesualdo Ferreira, que foram despedidos pelos rivais de Lisboa, mas que acabariam recrutados pelos portistas, onde obtiveram enorme sucesso.</p>
<p style="text-align: justify">Depois, há que perguntar se um mau período de resultados será totalmente esclarecedor em relação à competência do treinador? O caso de Vitor Pereira poderá levantar algumas dúvidas, pelo seu ainda curto currículo, mas se pensarmos no momento presente do seu antecessor, André Villas Boas, com um inicio de época comprometedor no Chelsea, ou no exemplo de Jorge Jesus, que no ano a seguir ao título passou por uma situação muito mais difícil do que a do FC Porto actual, então talvez possamos ser menos conclusivos no que respeita à relação entre competência do treinador e prestação desportiva da equipa, num tão curto espaço de tempo.</p>
<p style="text-align: justify">Finalmente, há que regressar um pouco atrás, ao que se diz em Julho, no arranque dos trabalhos: os objectivos de temporada. No caso que estou a tratar, de Vitor Pereira e do Porto actual, o objectivo principal é sempre o campeonato, e com o campeonato, por mais voltas que a época possa dar, dificilmente alguém deixará de esboçar um sorriso final. Vejamos o caso de Co Adriaanse, que protagonizou a pior prestação europeia dos portistas em muitos anos e ainda esteve na indesejada fotografia do “matar do borrego” benfiquista, que venceu no Porto quase 15 anos depois. O holandês acabou como campeão e poucos foram aqueles que se mostraram insatisfeitos com a sua prestação no final dessa temporada.</p>
<p style="text-align: justify">Por tudo isto, e em jeito de balanço, há duas coisas que me parecem claras sobre o que irá acontecer. A primeira, é que o futebol sempre dá muitas voltas, com momentos favoráveis e desfavoráveis para todos. Este ano não será excepção, restando saber que marcas deixará cada uma dessas fases, e em cada equipa. A segunda, é que com a sua experiência dificilmente Pinto da Costa será sensível a qualquer lenço branco enquanto a sua equipa estiver na liderança da principal prova do calendário nacional.</p>
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		<title>Benfica-Sporting, 1-0 (crónica)</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 22:54:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[Dão-lhes uma bola, ligam-nos à corrente e incentivam-nos. Uma palmada nas costas, um aviso, uma indicação de como fazer, por onde ir, o que aproveitar e chega. Um derby tem mais emoção do que razão, exalta a superação. Dentes cerrados, peito feito, orgulho puxado para cima e vontade infinita de ganhar. Desta vez ainda mais. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://futebolportugal.clix.pt/2011/11/benfica-sporting-1-0-cronica/980x735-2/" rel="attachment wp-att-68823"><img class="aligncenter size-medium wp-image-68823" src="http://futebolportugal.clix.pt/wp-content/uploads/980x7351-220x300.jpg" alt="980x7351 220x300 Benfica Sporting, 1 0 (crónica)" width="220" height="300" title="Benfica Sporting, 1 0 (crónica)" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Dão-lhes uma bola, ligam-nos à corrente e incentivam-nos. Uma palmada nas costas, um aviso, uma indicação de como fazer, por onde ir, o que aproveitar e chega. Um <em>derby</em> tem mais emoção do que razão, exalta a superação. Dentes cerrados, peito feito, orgulho puxado para cima e vontade infinita de ganhar. Desta vez ainda mais. Sem receios. Identidade, personalidade, ambição. E confiança. É isso que os faz cair, levantar, correr, tentar, porfiar do início ao fim.</p>
<p style="text-align: justify"><em>In media res</em>: minuto quarenta e dois. Destacar um minuto num conjunto de noventa pode parecer redutor. E é um pormenor. Mas, afinal, foi um pormenor que decidiu o <em>derby</em>. Uma bola parada, uma desconcentração, uma cabeçada. Um golo. Na cabeçada de Javí García, imponente e colocada, voou a esperança do Benfica. E ficou marcada a vitória. Com carácter, com garra, com estoicismo.</p>
<p style="text-align: justify">Até aí tudo tivera equilíbrio. O Sporting chegou destemido, sem complexos, solto e louco por continuar o bom momento para apagar os fantasmas do passado e mostrar que este Sporting, este, tem muito valor. Criou duas bolas de golo, conseguiu pressionar alto, foi uma verdadeira equipa. O Benfica apoiou-se nos artistas, principalmente em Aimar e Gaitán, acertou num poste, assustou Rui Patrício mas não foi vertiginoso. Forças iguais, jogo equilibrado, <em>derby </em>vivo. Até ao tal pormenor do minuto quarenta e dois.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Uma expulsão, atitudes iguais, resultados diferentes.</strong></p>
<p style="text-align: justify">O golo do Benfica foi um duro golpe no Sporting. Pelo momento, pelo contexto, por tudo. Chegou em cima do intervalo, já depois de a bola ter rondado com muito perigo a baliza de Artur Moraes, para abalar a postura aberta, olhos nos olhos, do leão, que, sem Rinaudo, entrara de início com Carriço e, a meio da primeira parte, perdera Matías Fernandéz. Mas nem por isso perdeu energia. O jogo continuou vivo, intenso, ritmado.</p>
<p style="text-align: justify"><em>In media res</em>, de novo: minuto sessenta e dois. Expulsão de Cardozo. Com o Benfica em vantagem num <em>derby</em> elétrico. Logo no início da segunda parte, Elias assustou os benfiquistas num livre que passou perto do poste, pelo meio <em>Tacuara </em>respondeu num lance bem defendido por Rui Patrício e, outra vez, o Sporting rondou o golo, quando Artur Moraes parou um tiro de Elias. O tal minuto sessenta e dois obrigou o Benfica a maiores esforços. E colocou-lhe um sério problema pela frente. Logo depois, o Sporting voltou a rondar o golo. A terceira tentativa de Elias, depois de uma oferta de Artur, herói-quase-vilão, voltou a sair para fora.</p>
<p style="text-align: justify">Os bancos agitaram-se. Domingos e Jesus viram, um por ambição e outro por necessidade, oportunidades de mudança, para se readaptarem à nova realidade e saberem estar no <em>derby</em>. O Benfica uniu-se, compactou a equipa, jogou de forma mais pragmática – não teve Luisão, por lesão, mas nenhum adepto benfiquista, por certo, suspirou pela ausência do capitão. O Sporting tentou ser mais acutilante, chegar mais além, empatar pelo menos, mas esbarrou numa atitude estóica, muito terra a terra, que o Benfica usou para segurar a vitória.</p>
<p style="text-align: justify"> O <em>derby</em> teve equilíbrio, bons momentos, intensidade e emoção. Foi jogado durante noventa minutos por duas equipas destemidas. E isso é o melhor elogio que podem ter.</p>
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		<title>O &#8220;Pintismo&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 18:19:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Martinho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Zon Sagres]]></category>
		<category><![CDATA[Porto]]></category>

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		<description><![CDATA[A Taça de Portugal já aqueceu e arrefeceu, dando agora lugar ao quentíssimo dérbi lisboeta pelo qual muitos anseiam o final da semana. Ainda assim, houve algo nesta ronda que me parece ser muito importante reter e analisar. O Porto foi eliminado em Coimbra, tendo sido presenteado com a mais copiosa derrota de que muitos têm [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Taça de Portugal já aqueceu e arrefeceu, dando agora lugar ao quentíssimo dérbi lisboeta pelo qual muitos anseiam o final da semana.</p>
<p>Ainda assim, houve algo nesta ronda que me parece ser muito importante reter e analisar. O Porto foi eliminado em Coimbra, tendo sido presenteado com a mais copiosa derrota de que muitos têm memória em casa da Académica. As claques manifestam-se e os restantes adeptos protestam. <strong>É pedida a demissão do treinador e aos jogadores é exigido que corram mais. Para a direcção e o presidente…não é dito nada.</strong></p>
<p>Sempre me causou alguma confusão porque é que, nos poucos momentos maus que o seu clube tem atravessado, os adeptos do Porto resguardam sempre a estrutura acima de tudo. “Ele já nos deu muitos campeon<a href="http://futebolportugal.clix.pt/2011/11/o-pintismo/pinto_da_costa-2/" rel="attachment wp-att-68516"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-68516" src="http://futebolportugal.clix.pt/wp-content/uploads/pinto_da_costa1-150x100.jpg" alt="pinto da costa1 150x100 O Pintismo" width="150" height="100" title="O Pintismo" /></a>atos!”, dizem com sorriso rasgado, relembrando que, de facto, Pinto da Costa levou o Porto a ser o clube mais titulado em Portugal. E eu pergunto:<strong> será que o facto de já ter feito o trabalho fantástico que efectivamente fez, livra-o de ser chamado á responsabilidade quando falha?</strong> Respondem-me que não, agem como se sim. Pelo que concluo a maioria dos adeptos que se deslocam ao estádio das Antas, ou que seguem os jogos pela televisão <strong>não são “portistas”, são “Pintistas”. Põem o presidente acima do clube. Não amam o clube pelo que lhes deu em termos de conquistas e desilusões, amam apenas o que o presidente conquistou.</strong> A estrutura engoliu o clube e os adeptos do Porto vivem uma dormência crítica e intelectual impressionante, fazendo lembrar um povo subjugado por uma ditadura, onde põe as vontades do seu líder acima das vontades do país. Muitas vezes porque não tem escolha, mas outras vezes porque não consegue ver alternativa ou solução para além do que lhe é imposto.</p>
<p>Nos clubes de Lisboa há mais desorganização, mas há também mais liberdade. Todos os comentadores, confessa ou secretamente apoiantes de um clube caem algumas vezes no ridículo, não sendo incisivos nas críticas às direcções com vista a ocuparem uma “cadeirinha” no futuro.<strong> A diferença está no facto de, no Sporting e Benfica, haver a liberdade para criticar sem ser escorraçado pela “super-estrutura”. O poder de congregação da direcção do Porto não permite que ninguém julgue essa mesma direcção.</strong> Tenho a certeza que a maioria dos adeptos de qualquer clube em Portugal, trocaria a sua história recente por metade da história recente do Porto. Por outro lado, tenho a certeza que quase nenhum destes adeptos quereria que se instalasse a ditadura no seu clube.</p>
<p><strong>O “Pintismo”, esse, acabará um dia mais cedo ou mais tarde, deixando imensas saudades e nostalgia aos seus adeptos. Mas quando for apenas uma recordação, esses mesmos adeptos verão que, o “Portismo” está a morrer. E não há nenhuma conquista que valha a identidade de um clube.</strong></p>
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