Sabemos agora que a Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) considera que Carlos Queiroz perturbou mesmo o controlo antidopagem à selecção. Mais, o acórdão dá como não provado um dos principais argumentos apresentados pelo seleccionador para a sua reacção intempestiva à chegada da brigada antidoping à Covilhã: a hora matinal. O mesmo documento esclarece ainda que o próprio Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (CD) dá como não provado que tanto Carlos Queiroz como Henrique Jones, médico da selecção, “tenham em algum momento falado aos médicos da ADoP sobre a necessidade de os jogadores despertarem nesse dia mais tarde.
Se lhes tivesse sido pedido para esperar mais um pouco para fazer o controlo, teriam esperado mais um pouco antes de fazer o controlo”, assegura João Magalhães Marques, médico da ADoP, citado no acórdão. Segundo o documento de 31 páginas, a ADoP apresenta os factos e os argumentos que considera indiciadores da perturbação do controlo, contestando ainda a forma como o CD reproduziu as frases do seleccionador. Ao que consta, Queiroz terá mesmo afirmado “Um controlo antidoping? À selecção nacional? O Dr. Luís Horta quer é visibilidade”. Quando disse na SIC que até tinha sido ele a pedir tal controlo semanas antes. Verdadeiramente surreal. Entretanto, o seleccionador nacional já reagiu à conferência de imprensa do secretário de Estado do Desporto.
Para Carlos Queiroz é “surpreendente” que Laurentino Dias faça “várias considerações” sobre um processo que, sublinha, “ainda não terminou”. “A lei portuguesa prevê que o tribunal que deve ser de recurso é o Tribunal Arbitral do Desporto e parece-me óbvio e lógico poder dizer-se que o processo não está concluído. A ADoP não pode dizer que o processo está concluído, porque haverá um recurso. Vou recorrer e já todas as autoridades foram notificadas de que pedi o efeito suspensivo de todas essas decisões. Se havia alguma dúvida de que o senhor secretário de Estado se tinha imiscuído, hoje deixou de haver. Concordou com suspensão, o que acho que me parece surpreendente. Não posso entender. Ninguém compreende que o sr. Secretário de Estado faça considerações sobre o decorrer do processo e, no final, diga que apoia e concorda com a decisão de um processo que ainda não terminou. Não ficaram dúvidas da sua intervenção directa ou indirecta numa gestão autónoma de uma federação até pelo que disse acerca de como se deve gerir a federação. A direcção e o presidente têm sido independentes e extraordinariamente correctos na condução da acusação. Não posso deixar de registar essa solidariedade que tenho tido porque a FPF esteve ao meu lado. O que é importante é deixar que as coisas corram normalmente. Amanhã temos um jogo da selecção e peço que todos nós nos concentremos no jogo e apoiemos a equipa e os jogadores para conquistarmos os três pontos que são muito importantes”, afirmou Queiroz, numa conferência de imprensa improvisada diante do escritório do seu advogado, Rui Patrício.
Em suma, depois de ter afirmado no início deste mês que estava “a ser acusado para esconder negligência médica”, Queiroz parece continuar, dia após dias, a alimentar ainda mais toda esta polémica, mas a verdade é que não tem condições para continuar no cargo, termine o castigo daí a um ou seis meses. Por todas as razões já conhecidas, pela extrema falta de educação, pelas agressões verbais e físicas que aconteceram no desempenho das suas funções e pelas sucessivas mentiras proferidas. É legítimo que pretenda defender a sua honra e reputação, mas em vez de andar a tentar decifrar os nomes dos braços do polvo, deveria afastar-se rapidamente do cargo de seleccionador nacional. Mas a outra verdade que resulta de tudo isto é que no meio de toda esta barafunda, o dr. Luís Horta, depois de barbaramente atacado a nível verbal, soube ser isento como poucos, sendo inatacável moral e profissionalmente, coisa que outros não se podem decerto orgulhar. Entretanto fica a pergunta no ar: Queiroz não se “manca” ?























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