“Para que todos os portugueses não tenham dúvidas, quem numa reunião preparatória pediu controlo antidoping fui eu e sempre tive uma atitude de total apoio em relação ao controlo antidoping. Após um dia intenso de trabalho, depois de na véspera termos treinado duas vezes, tínhamos programado treino mais tarde, com despertar livre. Estava eu no pequeno almoço, por volta das 7.45 horas, e o médico informou-me da presença dos membros do controlo antidoping. Fiz sentir ao médico que era importante sensibilizar os médicos da antidopagem, tentei conseguir que esperassem um pouco pelos jogadores. O doutor Jones respondeu que não era possível, que já tinha tentado e sugeriu que fosse eu a fazê-lo, que ele ia acordar os jogadores. Quando penso que me vou dirigir à recepção do hotel para falar com médicos, estão pessoas a subir escadas na minha direcção. Nessa altura, dizem-me que são pessoas do controlo, eu inicio diálogo. Face à indiferença aos meus argumentos, tive um desabafo dirigido a um elemento da minha equipa técnica, em termos que poderão ser considerados menos elegantes, que foram exactamente a expressão da minha impotência para parar a coisa. Era indiferente os médicos aguardarem meia hora ou uma hora… Depois do desabafo, num incidente que durou dois minutos, retiro-me imediatamente, não obstruí, não perturbei. O que se passa é que alguns dias depois o doutor Luís Horta chamou atenção de que um parâmetro das análises não foi cumprido. Cinco dias depois, um dos médicos, porque se sentia perturbado com efeito das minhas palavras, admite que talvez se tenha esquecido de registar um dos parâmetros.O controlo antidoping foi processado e que a ADoP reconheceu isso a 5 de Agosto. Que todas as análises tinham sido feitas em conformidade. A minha responsabilidade é defender os interesses dos jogadores e da Selecção. Se virmos, Ferguson veio dizer que teria feito exactamente o mesmo. Aliás, Luís Figo disse também que nunca foi acordado para fazer um controlo antidoping. Na minha vida tive centenas de controlos e nunca tinha acontecido na minha vida profissional uma acção que acordasse os jogadores e interferisse na preparação deles. Não vivo em clima de suspeitas ou de tramóia, mas é significativo que, enquanto o CD, com independência, me absolveu, reconhecendo que não houve transgressão das normas antidopagem, a ADoP me condenou. A honra não se paga. Não admito sair com a dignidade manchada. É uma justiça governamental, que ninguém sabe como funciona. As pessoas que me acusaram tomaram uma decisão em causa própria de me condenar a seis meses de suspensão. Pedi algumas audiências ao secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, mas, até hoje, ainda não houve possibilidade de falar sobre esta matéria. Estava no lugar errado à hora errada. O diálogo durou dois minutos. Não interferi, não obstrui, não perturbei os controlos”






























