Sporting de Braga: Um passo importante
28/07/2010 - 21:48 - Geral por
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A armada está modificada. Domingos continua na liderança. E continua a ter Vandinho, Moisés, Alan ou Paulo César. Perdeu Eduardo, Evaldo, Luis Aguiar ou Filipe Oliveira. Como já perdera João Pereira. São as baixas provocadas pela guerra anterior. O Sp.Braga arrancou cedo, apontou ao novo objectivo, sonhou com a entrada na Liga dos Campeões, mais do que merecida pelo conseguido na temporada transacta, e não deixou nada por mãos alheias. Preparou tudo isso para ser feliz. A época ainda está no início, ainda falta rasgo, o ritmo não está no máximo. Seria assim, nessas condições, que o Sp.Braga partiria para a primeira batalha da nova saga. Mantém-se a alma, a vontade e a consistência que caracteriza os guerreiros. O primeiro passo rumo ao sucesso milionário, o que dizem ser o mais importante, está dado: vitória categórica, coesa e eficaz, sobre o Celtic de Glasgow, por três golos de diferença e sem nenhum sofrido. Noite perfeita.

Jogar sem receio. Encarar o Celtic, um adversário forte mas não desanimador, com confiança, auto-estima e uma inabalável fé em como seria possível vencer. Um teste de fogo, talvez perante o adversário com maiores argumentos dos que estavam na calha, numa fase ainda muitíssimo precoce da época. O Sp.Braga sofreu uma transfiguração, está mudado, para melhor ou pior não se sabe neste momento, mas deixou de ser surpresa e terá de se mostrar à altura da exigência. Não tem os mesmos protagonistas, os feitos brilhantes levaram alguns deles, mas a atitude guerreira não muda, está lá, forte como antes e motivada como nunca. Os escoceses poderiam ser favoritos, sim, sem qualquer problema. Nada mais do que isso, porém. O jogo começou morno, expectante, sem passos em falso. Para o Sp.Braga trata-se de uma oportunidade única, histórica, inédita de chegar ao topo. Todo o cuidado seria pouco.

O início do jogo não é difícil de explicar: o Sp.Braga teve mais bola, abriu horizontes até à baliza de Zaluska, enquanto o Celtic esperou, desconfiado do real valor desta equipa portuguesa, procurando perceber verdadeiramente qual seria a melhor estratégia a adoptar. Lances de perigo faltaram. O tal receio de cometer um erro falou mais alto. A acontecer, porventura, seria fatal. O Celtic errou: Ki Sung Yeung travou um cruzamento de Miguel Garcia com o braço, em frente ao árbitro assistente, dentro da área. Grande penalidade clara. Alan, sem tremuras, rematou colocado e bem longe do alcance de Zaluska. O Sp.Braga deu um passo importante antes da meia-hora. Rumo à sua estabilização, sobretudo, obrigando o Celtic a apostar mais forte e, com isso, conseguindo mais espaço na defesa escocesa. O jogo, já antes controlado pela equipa bracarense, ficou na mão.

Só que uma vantagem tão escassa, jogando em casa e numa eliminatória em que os golos marcados fora valem ouro, é sempre arriscada. Ousar mantê-la, guardando o conquistado em vez de procurar engordar os números, seria estar no limbo. Do Celtic, embora desde início se tenha notado alguma incapacidade para criar desequilíbrios e lances de perigo para a baliza de Mário Felgueiras, poderia surgir um golo, fortuito e mesmo imerecido, que deitasse tudo a perder aos bracarenses. O Sp.Braga é uma equipa crescida. Foi sempre mais pressionante, mais mandona, mais aguerrida para chegar ao segundo golo. Aos escoceses, também vice-campeões do seu país, faltou capacidade para colocar a bola no chão, circulando-a em progressão e sobrou virilidade. O Sp.Braga dominou o jogo, ganhou o território e manietou o adversário. O Celtic pouco fez.

No futebol é importante apostar. Não ter medo, ser audaz e procurar ser feliz. Também por isso se diz que é um jogo de sorte. Os treinadores, vivendo numa constante alteração de espírito, são obrigados a agir. Ali, naquele momento, sem pensar duas vezes. Domingos Paciência, com a vantagem tangencial a seu favor, matreira e perigosa, lançou Matheus. O avançado brasileiro já deu provas de qualidade, tem velocidade e poderia ser fundamental naquela fase. A aposta foi acertada: Matheus entrou, assistiu Elderson, um lateral-esquerdo que deu nas vistas, para o segundo golo e encarregou-se, já em cima do final, de desferir o golpe de misericórdia na equipa escocesa, com um pontapé extraordinário. O Sp.Braga chegou aos três golos, uma vantagem boa, sem sofrer nenhum. Cumpriu as duas premissas do sucesso. Mas apenas jogou uma parte. Na Escócia, daqui a uma semana, terá de resistir ao assalto do Celtic. Daí que a muralha, com todos os guerreiros, tenha de ser bem preparada. Só depois os bracarenses poderão sorrir.

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