O coice dói consoante a besta que o dá …
10/07/2010 - 18:17 - Geral por
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Perto do final do jogo a Itália fez o 1-0 que afastava Portugal do Mundial de 94. Em pleno relvado de S.Siro o seleccionador nacional dá de caras com um microfone e declara ao mundo: “É preciso varrer a porcaria que está na Federação”. Portugal, então bi-campeão de juniores pela mão do mesmo seleccionador, estava longe de ser uma potêncial mundial habituada aos grandes palcos. Eram humildes as expectitivas enterradas em Milão nessa noite de chuva intensa mas Carlos Queirós, indignado até ao bigode, bateu com a porta depois de proferir a extrema-unção á casa do futebol português. O longo e irónico passar dos anos remete-nos, hoje, para uma fria realidade; Portugal, sem Queirós, lançou-se ranking FIFA acima, ganhando competências e prestigio com o passar da década, enquanto que o professor foi trabalhando a sua tese no âmbito da porcaria coleccionando “varrimentos” na selecção dos Emirates, na África do Sul, no Real Madrid..até se fixar como adjunto na equipa técnica mais estável do mundo.
Quando a porcaria que restava resolve, em 2008, readmitir o professor uma de duas coisas afiguravam-se possiveis: ou o selecionador fazia uso da sua elogiadissima capacidade de planeamento e conseguia substituir os pré-reformados que, muitos deles trabalhados por Mourinho, tinham sido o pulmão e o cerebro da geração 2004-06, ou tentava “ir para a selva” com a equipa que lhe caiu nas mãos, falível como muitas mas respeitada e temida como poucas. Queirós tentou fazer um pouco de ambas sempre demonstrar especial acerto para nenhuma delas, levou alguns jogadores com quilometragem excessiva para estas andanças e da prospecção (mais de 50 novos internacionais)! nasceram Fábio Contrão, empurrado pelas circunstâncias, Eduardo idem, Duda e o recentemente célebre Ricardo Costa. É pouco, é um falhanço, mas Carlos Queirós comporta-se de uma maneira que faz com que esse falhanço seja o problema menor que a critica tem em relação á sua pessoa.
Queirós teve azar, na fase de apuramento cumpriu objectivos minimos num grupo de exigência máxima e na fase final defrontou, num espaço de 4 dias, os dois primeiros do ranking. Quem acompanha o Futebol sabe não se tratar de uma situação muito comum, nem sei se já terá acontecido, pelo menos em jogos oficiais. Só este fenómeno serviria para inocentar o treinador pela eliminação precoce, ainda mais quando a Espanha aplicou dose igual a Alemanha e Paraguai e o Brasil foi varrido pela outra finalista. Esta conjuntura e uma dose generosa de compreensão apagavam o facto da selecção jogar com um central a defesa direito, outro a trinco, a defender com 10 no seu meio-campo e com um jogador na frente que não merecia ser titular quanto mais capitão. Incompatibilizado com Deco, incompreendido por Hugo Almeida, Carlos Queirós sofreu tanto como todos os portugueses no banco de suplentes mas não deixou na África do Sul a vontade de continuar a desiludi-los.
A novela da entrevista ao Sol revela a incompetência e ingenuidade de quem é apanhado por um meio que tenta, mas não sabe, dominar. Os jornalistas sabem que Queirós gosta de falar, as conferência-metáfora do professor são um privilégio de que os jornalistas portugueses se podem gabar. O sound-bite perfeito, já formatado e pontuado. Acontece, porém, que o entrevistado diz o que pensa e o jornalista publica o que quer. O actual selecionador já era um treinador mediano, demonstrou grande fragilidade enquanto gestor de recursos humanos e agora passa a caso de estudo em termos de péssima politica de comunicação. Fechou, com as recentes declarações, o circulo que começara a desenhar em 1993, esperemos agora que o seu lugar seja fora do mesmo.

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