Que grande “jogão” de meias-finais entre a Alemanha e a Espanha nós pudemos assistir!
A muitos mundiais que não se assistia a um jogo tão bom nesta fase da competição, diria mesmo que se assistiu a uma final antecipada, pois não vejo como a Holanda possa vir a ter argumentos para no domingo conseguir levar de vencida a outra finalista que saiu deste magnífico jogo.
A Espanha entrou no jogo num claro 4 x 4 x 2, e a Alemanha num 4 x 2 x 3 x 1, num jogo estudado até a exaustão entre as duas comissões técnicas.
Uma Alemanha muito forte e compacta a não conseguir dominar dando assim a iniciativa de jogo a Espanha. Mas a jogar numa clara tática de vingança face ao resultado do Europeu, para ser servida fria, mas encontrou uma Espanha mais forte do que esperava, não sei se para prestigiar a presença da Rainha Sofia, se porque é a verdadeira fúria espanhola que imperou neste jogo.
Grande surpresa inicial a entrada de Pedro na equipa espanhola, por troca com Torres, e que acabou por ser o grande manipulador de jogo atacante da fúria espanhola, que sempre atacou com muita objetividade, chegando ao absurdo de realmente só ter dado Espanha sobre o relvado de Durban.
Ressalvar que mais uma vez ficou provada a falta de segurança neste Mundial, pois um adepto entrou em pleno relvado se que ninguém o tenha vislumbrado. Depois da invasão no balneário da Inglaterra, esse é mais um ponto negativo, mas como nada é perfeito…
A primeira parte do jogo decorreu numa toada de velocidade com a Espanha a marcar bem e trocando a bola com personalidade, o que deixou a Alemanha retraída no campo, mas sempre que se conseguiu libertar após os 15 minutos de jogo, apareceu na frente com perigo e com possibilidades de marcar. Direi que foi mais objetiva que a Espanha na concretização, mas sem resultado pratico.
A concluir a primeira parte, uma falta de Sergio Ramos, fora da área, que poderia ter dado um pênalti, uma vez que o jogador da Alemanha veio a cair na área, mas que o arbitro felizmente não assinalou.
Viveu-se uma segunda parte com a continuação do domínio espanhol, agora amis forte ainda que nos primeiros 45 minutos, e a confirmação de que a Espanha vinha jogar esta meia final, com capacidade para chegar a uma final inédita.
A Alemanha perdeu este jogo na incapacidade de ganhar a segunda bola, e dominar o jogo, e mesmo quando fez alterações com as entradas de Jansen aos 6 minutos e mais tarde de Kroos não conseguiu estabilizar o jogo alemão, e a Espanha continuou a dominar, até que conseguiu marcar por Puyol um golo mais do que merecido. Uma cabeçada fulgurante na marca de pênalti deu a gloria ao jogador do Barcelona e a toda uma Espanha.
O destino estava marcado, e a troca de Torres por Villa e mais tarde de Pedro por Silva, e de Marchena por Xavi Alonso só serviram para reforçar a equipa em termos de posse de bola.
A Espanha chega a final deste Mundial com todo o mérito e vontade, e possibilidade, de se sagrar pela primeira vez campeã mundial de futebol.
Mais uma vez uma meia-final de um mundial não chegou ao seu final com o marcador em 0 x 0, e uma final inédita vai ter lugar no dia 11, também com um Campeão inédito, e também pela primeira vez um Campeão que conquista o seu titulo num continente diferente da sua origem.
A poderosa Alemanha faltou estabilidade emocional, e capacidade de afirmação perante uma equipa ao seu nível, restando lutar por um terceiro lugar.
No entanto, podem contar desde já com esta Alemanha para o Mundial do Brasil, pois esta aqui uma equipa jovem e com largo potencial de evolução, e um muito serio candidato a uma vitoria no futuro, quem sabe no próximo campeonato europeu, preparando um Mundial de 2014 em grande.































Jogo “tão bom”? Tacticamente, talvez, porque de resto…
Também não concordo com isto:
“A poderosa Alemanha faltou estabilidade emocional, e capacidade de afirmação perante uma equipa ao seu nível, restando lutar por um terceiro lugar.”
A Espanha, técnica e tacticamente (graças a Pep Guardiola) é de um nível muito superior à Alemanha. Os jogadores alemães foram, isso sim, bravíssimos, disciplinados e inteligentes lutadores, apesar de serem, em geral, inferiores aos adversários. Isto é, têm tudo aquilo que Portugal nunca teve.
Uma grande Alemanha e uma final justa.
Caro Vitor
A opinião é livre, e a critica é obviamente muito bem vinda, sendo uma das razões da existência deste espaço.
Sobre a qualidade do jogo… dizer que felizmente a maioria das opiniões que tenho observado nos mais diversos quadrantes internacionais, estão de acordo com a minha opinião, colocada poucos minutos após o encerramento do jogo.
Você acha que a Alemanha não é uma equipa poderosa, é livre de pensar e manifestar isso. Mas foi essa mesma Alemanha que maravilhou o Mundo até ao jogo de hoje, e que era inclusivamente dada antecipadamente já com um pé na final… perante aquilo que escreve; acho que só mesmo você a posterior (pois não vi nenhuma referencia anterior sua) e o polvo por antecedencia apostaram 100% na sua derrota de hoje contra a Espanha, e eu que escrevi, aqui neste mesmo espaço, que se a Espanha tivesse postura táctica rigorosa poderia derrotar a Alemanha, como realmente veio a acontecer.
Obviamente que agora só resta a Alemanha lutar por um honroso terceiro lugar…
Muito gostaria de saber o que Pep Guardiola terá que ver com a postura táctica da Espanha, que é só a Campeã Europeia em titulo, e que se encontra bem encaminhada para conquistar o titulo mundial, pelas mãos e sabedoria de Dom Vicente que sabe mais de futebol a dormir que muitos acordados…
A Alemanha tem uma magnífica equipa, que é apenas vice-campeã européia, e na pior das hipóteses será sempre uma das 4 melhores do mundo, para além de ter um plantel jovem que já esta, e vai dar muito que falar no futuro próximo.
Comparar a Alemanha com Portugal em termos futebolísticos, não tem sequer cabimento, nem no passado nem no presente, pois tanto o plantel como o grupo são incompatíveis em termos de comparação nos seus mais variados sectores, e quanto a vontade e querer, os resultados falam por si…
A final será mais do que justa tanto para a Holanda como para a Espanha, pois foram as equipas mais regulares, e que mais fizeram para estar dia 11 a lutar pelo titulo mundial de 2010.
Quanto a Portugal se não mudar de atitude por parte da FPF, se não mudar radicalmente a sua direcção técnica, e passar a apostar nos jovens, deixando de formar equipas de mercenários, não terá mais futiro do que aquele que estamos a assistir, e bem pode preparar os adeptos para nem sequer conseguir apurar-se para a fase final do próximo europeu.
Saudações amigas
Olá João. Se calhar, nalguns pontos, não me fiz entender bem.
Primeiro, a noção de “grande jogo”, depende dos gostos de cada um. Para mim, foi um bom jogo, em que uma equipa dominou, controlando a bola e, pacientemente, construiu oportunidades. Prefiro associar “garnde jogo” a futebol equilibrado e com golos.
Nunca disse que a Alemanha não é uma equipa poderosa. Acho até que, como equipa, a Alemanha sempre foi a mais poderosa do mundo. Só disse que a Espanha é superior. Muito. Julgo que isso é pacífico. A força da Alemanha, mesmo quando não tem os melhores jogadores, é o colectivo: disciplina táctica (e não só…) e inteligência emocional. Note que eu sou um profundo admirador das selecções alemãs de futebol, mas tenho que realçar isto: a equipa alemã não tem, nem tinha no último Europeu, um grupo de jogadores ao nível do 3º lugar. O que acontece é que, como equipa, eles superam outros que, tendo mais estrelas, são pura e simplesmente desorganizados ou displicentes (Inglaterra, Argentina, França, …). Merecem? Óbvio que sim. E fico feliz. Adoro ver jogar as máquinas alemãs e adoro vê-las vencer a arrogância dos incompetentes.
Espanha. Guardiola? Bom, a Espanha entrou em campo com 6 jogadores do Barça 2009-2010. A estrutura da equipa baseia-se em Xavi e Iniesta. Não me parece exagerado, sem desvalorizar o trabalho do seleccionador, admitir que a equipa espanhola aproveita bem as rotinas dos médios catalães. Aliás, ontem só faltou Messi, no ataque do Barça (e Villa é bem melhor que Zlatan).
Comparo o futebol de Alemanha e Portugal, não as suas carreiras no Mundial, mas apenas com a desilusão que tenho por ver a desorganização que tem a nossa selecção. Porque, dadas as devidas distâncias (população e nível de vida), só nos falta para o sucesso aquilo que a Alemanha tem, quase sempre: competência, a todos os níveis (formação pensada, estrutura dirigente sólida, etc, etc). Tivesse a FPF a inteligência que tem a DFB e teríamos uma das melhores equipas do mundo. Repara, caro João, como o mais mediano jogador alemão (e há vários, nesta selecção) é sempre respeitado e temido, ao contrário de algumas talentosas estrelas portuguesas, alvos frequentes do gozo estrangeiro. São belíssimos talentos da bola, sem dúvida, tecnicamente em nada inferiores aos alemães, mas já toda a gente sabe que, na hora decisiva, falham. Falham individualmente e como equipa.
Neste sentido, para mim, tem todo o cabimento comparar Portugal e Alemanha (que com jogadores medianos está sempre “lá”, até ao fim), ou, por exemplo Portugal e Holanda: dimemnsões geográficas e populacionais semelhantes, mas resultados, enfim… demolidoramente superiores. Sorte? Não, trabalho.
Exacto, a FPF tem de mudar. Quanto a Queirós, isso é asunto que dá pano pra mangas. Já me estiquei que chegue. Quanto aos mercenários, outro “pincel”. Quem não os tem? Até a Alemanha…
Caro Vitor
Após a sua nossa explanação, já nos entendemos, e concordo na maioria dos pontos.
Entendi agora a sua idéia de Guardiola, e concordo em parte com a mesma, embora tenha muito trabalho de Dom Vicente, que considero um dos melhores técnicos europeus das ultimas décadas.
Dizer ainda que com Dom Vicente a Espanha já alcançou a nível europeu e mundial, o que nunca tinha conseguido.
Em relação a comparação de Zlatan com Villa… dizer que são jogadores de caracteristicas bem diferentes, que na minha analise se equivalem, embora Villa seja mais jovem e com vontade de vencer… e pode fazer isso no seu novo clube, precisamente o Barcelona.
Saudações