O Mundial de Futebol, que ainda vai a meio, teve o mérito de agradar já a todos os adeptos, opinadores e comentadores portugueses. Ainda que por breves instantes/dias, qualquer palpite, profecia ou “fezada” foi ao encontro do que se passou até agora na África do Sul.
Começando pela participação da selecção Portuguesa; depois da trágica politica de comunicação externa que manchou a preparação da equipa, Portugal entrou pastoso e temerário no primeiro jogo, dando razão ás vozes menos optismistas e desiludidas que surgiam em qualquer microfone público. Apartir desse momento até a 105ª selecção do ranking mundial representava uma real ameaça ao objetivos luso da qualificação. Selecção essa, que tendo sido reduzida ao ridiculo por uma excepcional eficácia portuguesa, embalou a trouxa de regresso ao seu quintal sem antes deixar de contabilizar a 3ª derrota ante a Costa do Marfim. A selecção portuguesa ficava, na segunda jornada, com o melhor ataque e melhor defesa da prova, para gáudio dos 10% de portugueses que sempre acreditaram na sua qualidade e de outros 30 ou 40% que, aproveitaram a subida da maré para embarcar num optimismo primário que só se esgota numa meia-final com a Argentina ou final com o Brasil.
Não que haja nenhuma objecção da minha parte a que se mude de opinião em relação á equipa mas mesma maneira que nunca fomos um 8 também não seremos, certamente um 80 neste mundial.
Creio que o jogo 3, com o Brasil, define a essência do futebol que Portugal pode deixar reflectido nos relvados africanos. Numa frase, o jogo contra os brasileiros representou “aquilo que podiamos ser mas não somos”; uma equipa organizada para suster a pressão de um ataque continuado e a aposta em saídas muito rápidas em direcção á baliza contrária. Fosse Portugal capaz de ter metade da eficácia que obteve contra a Coreia e qualquer Brasil (ou Costa do Marfim..) teria perdido o jogo contra a nossa selecção. Houve rigor defensivo, concentração mental e de jogadores no meio campo, não houve golo. Quem se lembrar da forma como a Espanha deu a volta aos alemães na final de 2008 melhor entenderá esta lógica.
Recentemente, e ao contrário do que parecia acontecer na fase de grupos tendo em conta o grau de acerto, entraram em campo equipas de arbitragem. Árbitros principais e auxiliares já escancararam a porta da imortalidade na história dos Campeonatos do Mundo. Os erros em prejuizo dos Estados Unidos, Inglaterra e México deitaram por terra as excelentes actuações da Arbitragem no primeiro terço da prova. Pouco há a dizer em relação à FIFA, o caminho seguido não só não promove a entrada da tecnologia nas decisões dos árbitros como, veio a saber-se hoje, quer arrastar todos aqueles que assistem no estádio ou na televisão para uma fétida ignorância, proibindo as repetições de lances DE ERRO (e não, polémicos) justicando tal medida, com as costas largas da SEGURANÇA.
Resta-nos torcer (pelo menos é o que faço) que todo o mal da arbitragem se abata sobre as equipas britânicas, tal como aconteceu no apuramento com a Irlanda e ontem com a Inglaterra. Talvez quando as federações que tutelam a Internacional Board forem descaradamente prejudicadas hajam mudanças concretas. Um roubo é sempre tanto mais incómodo quanto maior for a proximidade dos atingidos ou a frequência com que acontece.
NOTA: O comentarismo televisivo está a fazer escola em Portugal. O problema é que a corrente actual aposta em dizer tudo e o seu contrário. Públicos ou privados os comentadores portugueses reunem-se em frente a uma televisão e comentam as incidências como qualquer pessoa que esteja a observar o jogo com o minimo de atençao. Senhores treinadores: vocês estão a trabalhar e não a ver um jogo com a malta..eu quero saber o que vocês fariam na pele de quem está a ganhar, ou a perder, ou para desbloquear um empate. Vamos lá deixar-nos de “a Argentina é muito forte no ataque” e de “o futebol é isto” e começem a TRABALHAR com afirmações que não entrem pelos olhos de uma criança de 10 anos!






























