O Sporting terminou a Liga Sagres, com um triunfo, uma temporada na qual os seus responsáveis esperavam bem mais vitórias do que aquelas que efectivamente viriam a obter.
Era o início de uma era, na qual José Eduardo Bettencourt sucedia a Filipe Soares Franco na presidência do clube de Alvalade, mas que arrancou com o mesmo paradigma desportivo. E foi aqui que começou a débacle leonina na temporada que agora terminou (para o Sporting, pois a época apenas se conclui oficialmente com a final da Taça de Portugal, esta época entre o FC Porto e o Desp. Chaves).
O futebol do Sporting parou nos segundos lugares alcançados nas épocas imediatamente anteriores, como que conformado com esse destino, justificando-se com as fracas condições financeiras serem impeditivas para um significativo reforço do plantel. Já o maior rival citadino, Benfica, apostou claramente no reforço da equipa, enquanto o campeão em título, FC Porto, também teve de mudar praticamente o estilo de jogo, em virtude da venda dos seus dois jogadores mais influentes, Lucho González e Lisandro López. Se o Benfica voltou a mexer, inclusivamente mudando de treinador, pela necessidade de apostar claramente no título e o FC Porto se viu obrigado a refazer o plantel e a forma de jogar em virtude da saída das suas duas pedras mais influentes, o Sporting não mudou praticamente um milímetro, sempre fiel à estratégia do recurso às camadas jovens, mais um punhado de jogadores experientes.
No entanto, os preparativos para a nova temporada até começaram muito bem, na óptica sportinguista, pois o clube elegeu José Eduardo Bettencourt seu presidente com mais de 90 por cento dos votos expressos, nas primeiras eleições em anos. E, se o fizeram, terá sido porque achavam que se seguiria um ano de êxitos e, também, porque não reconheciam capacidade e/ou credibilidade ao candidato derrotado, Paulo Pereira Cristóvão, para levar o clube ao sucesso que almejavam.
Bettencourt, gestor bancário de profissão, abandonou a instituição bancária onde trabalhava para se dedicar 100 por cento ao clube, fazendo-se remunerar por isso. A missão era complicada, em virtude da situação financeira do clube (há quem diga que o novo presidente terá sido colocado pelo consórcio bancário em Alvalade com a principal tarefa de não deixar disparar a dívida financeira), mas o discurso populista agradava aos adeptos, começando pelo “Paulo Bento forever”. O técnico até aceitou, depois de alguma reflexão, começar a época em Alvalade, partindo do princípio que lhe dariam melhores condições do que na época anterior.
Não deram e o técnico viu-se obrigado a bater com a porta após ter falhado o apuramento para a fase de grupos para a UEFA Champions League (onde somente uma arbitragem bastante tendenciosa impediu o afastamento da Fiorentina) e, depois, começado a perder pontos tanto para a Liga Sagres como para a UEFA Europa League, reconhecendo implicitamente que não conseguiria mais. O projecto de Bettencourt para a época que agora termina começou a ruir ainda a temporada não havia chegado a Novembro.
(continua)































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