Nos últimos anos, o FC Porto nunca chegara à 21ª jornada da Liga Sagres a nove pontos de distância do líder e, como se já não bastasse, na terceira posição. Enquanto o facto de estar no terceiro lugar pode ser analisado à luz da conjuntura (O Benfica há muito que não discutia o título e o Sp. Braga jamais lutara por ele), os nove pontos de atraso para os lisboetas justificam-se por uma sucessão de resultados pouco habituais na história recente dos tetracampeões nacionais (embora causados, em primeira instância, pelo futebol menos que convincente actualmente praticado pelos comandados de Jesualdo Ferreira), desacertos tácticos em posições-chave e situações que pouco têm a ver com o futebol propriamente dito.
Defesa mais permeável
O sucesso de uma equipa depende sempre da solidez da sua defesa e, na presente temporada, o FC Porto não tem sido aquele conjunto alicerçado numa defesa de betão. Os titulares são os mesmos (excepção feita à entrada de Alvaro Pereira para render Aly Cissokho, contratado pelo Olympique Lyonnais), mas a robustez da muralha é que, apesar de elevada, não tem sido a mesma. Parte do segredo prende-se com os menores rendimentos de Bruno Alves e do médio-defensivo que actua à frente dos centrais, Fernando.
Meio-campo sem fluidez
A fluidez de jogo outrora apanágio dos dragões parece ter desaparecido. E isso deve-se às profundas alterações que o seu meio-campo sofreu. Às agora mais regulares lesões de Raúl Meireles, houve a juntar a quebra de forma do verdadeiro pêndulo da equipa, Fernando.
No entanto, a maior alteração no conjunto foi indubitavelmente a partida do capitão Lucho González. O argentino era mesmo “El Comandante” (inclusivamente em campo) e a verdade é que aqueles que o têm substituído não atingiram (nem se aproximaram) dos seus níveis exibicionais. Um deles tem sido Fernando Belluschi e aqui reside outro dos erros de Jesualdo Ferreira. A qualidade do argentino contratado ao Olympiacos é inquestionável, mas, em bom rigor, está a jogar demasiado recuado no terreno relativamente à posição em que poderá render melhor: no apoio aos avançados.
Os “dragões” conseguiram emendar o erro contratando Ruben Micael ao Nacional da Madeira, mas só a espaços se tem visto o madeirense, uma vez ainda não haver mecanização de processos, embora a equipa tenha melhorado sobremaneira de rendimento. Todavia, somente quando Ruben Micael estiver completamente adaptado ao modelo de jogo de Jesualdo Ferreira é que o FC Porto poderá voltar a controlar o meio-campo e os próprios encontros. Resta saber se não será já tarde demais.
Ataque com menor dinamismo
Depois, no próprio ataque, o rendimento tem sido intermitente, com os dragões a alternarem exibições de grande nível com prestações discretas. Tal como aconteceu com o meio-campo, com a saída de Lucho, o FC Porto ainda não supriu da melhor forma de Lisandro López para o Olympique Lyonnais. El “Licha” não se limitava a marcar golos, conforme acontece em maior número com Radamel Falcao (que é um ponta-de-lança de raiz). Lisandro era mais móvel e também ajudava bastante a defender, começando a pressionar logo à saída da área adversária, obrigando os contrários a cometer muitos erros.
A mobilidade do agora dianteiro do Lyon originava outro tipo de problemas aos adversários, uma vez não haverem posições fixas. Era comum, na época passada, ver Rodríguez, Hulk e Lisandro em todas as posições do ataque durante um encontro, o que, aliada à grande rapidez e qualidade técnica dos seus executantes, tornava mais complicada a vigilância adversária e provocava constantes desequilíbrios.
Há ainda a registar as lesões de Cristián Rodríguez e Hulk. No entanto, ao recém-internacional brasileiro há que assacar-lhe as culpas pela própria ausência da equipa, por motivos disciplinares. “O Incrível” foi expulso logo na primeira jornada, em Paços de Ferreira (com cujo clube o FC Porto empatou duas vezes, desperdiçando quatro dos seis pontos em disputa), e (provocado ou não) conseguiu ser expulso pelos acontecimentos verificados no túnel do Estádio da Luz.
Estas situações têm impedido Jesualdo Ferreira de apostar num tridente composto por Rodríguez, Falcao e Hulk. No entanto, abriram uma oportunidade que Silvestre Varela soube aproveitar muito bem. Mariano González também tem aproveitado melhor as ocasiões que se lhe deparam. E Ernesto Farías continua a ser o “Joker”, marcando (quase) sempre que entra.
O FC Porto e os outros
Depois, há o futebol galvanizante do Benfica e a surpresa bracarense, não obstante a goleada sofrida no Estádio do Dragão. Aí, tudo saiu bem ao FC Porto, que, no jogo seguinte, se deixou surpreender por um Sporting com maior vontade de ganhar.
O FC Porto apenas poderá queixar-se dos próprios equívocos (principalmente de ordem táctica). A suspensão de Hulk (e de Cristian Sapunaru, ele próprio um equívoco, implicitamente confirmado com a sua cedência a um clube de Bucareste) não desculpa tudo. Mas dá muito jeito para camuflar erros próprios.































